Mostrando postagens com marcador Pessoal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pessoal. Mostrar todas as postagens

28 de setembro de 2011

Tempos modernos

     Às vezes se torna difícil escrever algo com uma certa frequência. São tantas obrigações assumidas, tantos planos e projetos a serem realizados que acabamos deixando de lado pequenos passatempos que nos fazem tão bem. Escrever é relaxante, é revigorante e libertador. Quem nunca escreveu sem compromisso não sabe o que é liberdade.
    Tantas pessoas têm blogs hoje em dia que parece que temos mais autores do que leitores para lerem todo esse material. Digo isso, pois tenho alguns colegas e amigos que também possuem blogs pessoais e uma coisa garanto: a grande maioria deles são ótimos escritores. No entanto, hoje, nessa correria que é nosso dia-a-dia quase não temos tempo para ler o que os outros tem pra nos contar. Apesar de tudo, vejo algo bom nessa história toda: significa que nossa geração tem muito a dizer.

********

     Não sei se alguém vai ler isso, mas talvez não importe tanto. Escrevo por escrever.
     A quem interessar possa, em breve estarei postando alguma coisa mais interessante.
     Sem mais.

15 de julho de 2011

A ficção e a realidade

         Sempre me perguntei: "pra quê serve a Literatura? Pra quê serve a ficção?" Na época em que cursava Letras na UFPB perguntei a alguns professores, mas nenhum me deu uma resposta que me satisfizesse. Não que eles estivessem errados, mas não achei suas respostas realmente esclarecedoras. A culpa não é deles, afinal existem várias respostas para essa pergunta, mas nenhuma tornou-se referência para solucionar dilema tão antigo.
            Alguns argumentos até que são lógicos, embora (me pareçam) insuficientes. Eis:
           - A ficção, a literatura serve para nos ajudar a lidar com a realidade;
          - Serve também para que possamos aprender com os erros dos outros e conhecer a nós mesmos;
           - Serve para obter conhecimento;
           - Serve como divertimento, prazer, passatempo;
         - Serve para "irmos" a lugares que nunca poderíamos ir se não fosse através da imaginação;
           - ou qualquer outra resposta que tente satisfazer esse questionamento utilitarista.
           Até aí tudo bem, mas...

~   ~   ~    ~
A FICÇÃO E A REALIDADE

              De certa forma, desde pequeno aprendi a viver mais no mundo da imaginação do que no mundo real. Tinha coleção de gibis (de Turma da Mônica a "Superman"), livros de todos os tipos, vídeo-cassete com desenhos gravados (isso mesmo, não sou da geração que cresceu com o DVD e com o Blue-Ray). Já na adolescência, a paixão pela ficção fez com que lesse vários livros, e aos poucos fosse buscando uma literatura mais "madura" (Tolstói, Shakespeare, Victor Hugo, Machado de Assis, entre outros). Daí pra o curso de Letras foi um passo. 
            Nunca deixei contudo que o academicismo me afastasse de alguns autores que figuravam na lista negra de alguns "doutores", ou seja, certos autores considerados "párias" como J. K. Howling e Paulo Coelho eram demonizados nas salas e corredores da universidade.
            Quando lia aquelas teses sobre obras literárias e mergulhava a fundo nesse mundo "criado" pelos autores considerados mais geniais, tinha medo de  mergulhar demais na ficção e me perder da realidade. Dilema esse que me acompanhou por muito tempo, até que a própria vida fez com que descobrisse a resposta: percebi que o problema não estava na utilidade (ou não-utilidade) da ficção, mas no uso que eu fazia dela.  
                Sempre achei que deveria ler o maior número de livros, assistir os filmes mais interessantes, escutar as músicas mais geniais, acompanhar as melhores séries e assistir os melhores curta-metragens. Admito que exagerei nessa busca, mas o grande problema é que esse mergulho na ficção fez com que me tornasse um idealista (não no bom sentido). Me tornei alguém que esperava o momento ideal, a oportunidade ideal, o curso ideal, os amigos ideais, a namorada ideal... Enfim quem faz isso esquece que a realidade é muito mais complicada. As coisas e pessoas NÃO SÃO ideais para nós, assim como NÃO SOMOS ideais para elas. E bom que seja assim. Se as coisas e pessoas fossem como esperamos, a vida perderia sua riqueza.
           Quem tem medo de arriscar não obtém grandes conquistas. Quem tem medo de sofrer não ama de verdade. Quem espera demais, perde grandes oportunidades. Precisamos da ficção, mas precisamos ainda mais da realidade.
             Conversando com minha mãe, comentei: "Não sei pra quê adianta ler tanto. Às vezes, tenho medo de me perder no meio de tantos livros, histórias e teorias." Ela, de maneira genial na sua simplicidade, respondeu: "Impossível, meu filho. A realidade é algo muito forte. Ela sempre te puxa de volta."
               A resposta pra esse dilema quem me deu foi uma mulher (minha mãe) sem formação acadêmica nenhuma. Tenho certeza que o fato de não ter um diploma universitário não a faz menos inteligente.


* * * * * *

              Os conhecimentos mais marcantes não estão nas bancas de doutorado das universidades, nem nos livros dos grandes gênios. Alguns conhecimentos são trazidos de surpresa pela vida. Só a experiência proporciona essas descobertas únicas e pessoais. Esses presentes do mundo, é claro, são apenas pra quem não tem medo de viver.

16 de abril de 2011

Aqueles dias em que tudo parece dar certo



       Diferentemente dos tempos de outrora, hoje sofremos com o excesso de informações. Somos impelidos a passar horas estudando, a aprender outro idioma, fazer cursos, trabalhos, artigos, se atualizar, ver notícias, acompanhar mudanças na lei, na gramática, na sociedade, na doutrina, na ciência... Tudo isso é bom. Conhecimento nunca é demais. Mas peraí. Precisamos saber disso tudo? Parece que sim. Pelo menos é o que dita o mercado de trabalho. 
       Às vezes falta tempo para família, para os amigos, para si próprio, para o ócio criativo e até falta tempo para administrar o tempo. Contraditório, não? Mas é a realidade de muitos. Quem não acompanha essas mudanças fica pra trás comendo poeira.
       Mas a vida é assim mesmo. Vamos a levando e ela levando a gente até o dia em que tudo acabar e nos perguntarmos: Será que valeu à pena? Não importa qual for a resposta, já vai ser tarde demais.
      No final das contas, acredito eu, há de existir uma razão para tudo isso. Não importa. No meu ano sabático reflito melhor sobre isso.
       Todo esforço há de ser recompensado.
       Hoje, por uma razão que não sei bem qual é, me sinto especialmente feliz. Fazia um tempo que não me sentia assim.

28 de dezembro de 2010

Postagem clichê de fim de ano

   - Quais são seus planos para 2011, Wellington?
   - Passar no concurso do...
   - Não, não. Não perguntei o que você quer para 2011. Perguntei o que você planeja fazer.
   - Ah, tá.
    Foi assim, numa conversa informal que percebi que todos meus projetos para os anos novos eram baseados apenas no que eu desejava, enquanto deveria focar no modo de execução desses planos, em como atingir tais metas.
    Acho que com muita gente acontece o mesmo. Motivado com a perspectiva de mudança e esperança que acompanha toda mudança de ano, sempre elaborei uma lista de objetivos que deveriam ser cumpridos naquele novo lapso de 365 dias. Era como se o simples fato de desejá-los, os fizesse realidade. E assim mais um ano começava e terminava naturalmente com a realização de alguns planos, o engavetamento e a procrastinação de outros. Se parece muito com quando estamos prestes a completar 18 anos. Ficamos na expectativa de atingir a maioridade, achando que o simples fato de se tornar adulto vai fazer com que tudo seja diferente e extremamente mais emocionante. No dia seguinte ao completarmos a tão sonhada idade, percebemos que pouca coisa mudou e que não é a idade que vai fazer nossa vida mudar, e sim nossa postura diante dela que terá de mudar para que as coisas sejam diferentes.
    Além da fátidica lista de planos, também fazia uma rápida retrospectiva, procurando rever erros e acertos cometidos no ano que se passou. Mas a medida que os anos iam se passando, os reveillons iam ficando cada vez menos ritualizados (pelo menos para mim) e cada vez mais parecidos com uma grande festa. A diferença é que as viradas de ano se tornaram uma boa maneira para agradecer por mais um ano e pedir mais sorte e emoção para o próximo. No mais é trabalhar e deixar que a vida e Deus façam o restante.

9 de outubro de 2010

Cidadezinha qualquer

   Lendo o blog "Alteridade e Coisas do Cotidiano" comecei a pensar sobre o que faz a vida no interior, apesar de algumas vezes ser enfadonha, tão fascinante. 
  Quando era criança e morava em Alagoinha, pequena município de pouco menos de 15.000 mil habitantes, sempre sonhava com as grandes cidades. São Paulo com seus prédios e sua efervescência cultural era a minha favorita. Lugares gelados e cobertos por neve também me encantavam. Era doido pra passar o natal  esquiando num lago congelado e cantando "Jingle Bell" em frente a uma imponente árvore natalina. Talvez fosse influência dos inúmeros filmes que assistia, mas era esse ideal de felicidade que perpassava pela minha mente de criança.
   Ao morar numa cidade relativamente grande, descobri que detesto trânsito intenso, barulho,  pressa e poluição visual. Me sinto sufocado com tantos anúncios publicitários e carros businando loucamente. Não suporto o ritmo de uma cidade que acorda com o pulsar frenético das conduções que levam as pessoas ao trabalho e que termina a noite trazendo de volta esses mesmos trabalhadores e estudantes às suas casas para que no dia seguinte tudo se repita. Tenho a impressão que nesses lugares a vida se torna mecanizada e solitária, apesar da aglomeração de pessoas.
  Prefiro a calma do interior, conhecer todo mundo, falar com 20 pessoas até chegar a padaria. Poder comprar fiado (não gosto, mas é bom saber que posso).Também acho interessante como as pessoas se interessam tanto pela vida alheia. Aliás, as da capital também se interessam, mas as daqui não precisam comprar "Caras". A badalação se desenrola dentro da própria cidade. Pois quem lê Caras, não vê coração.
   Também há aquelas coisas que só se vê no interior como anúncio de falecimento em carro de som, pessoas conversando despreocupadas em frente às suas casas, festas de rua e personagens folcróricos que se tornam verdadeiros ícones na cidade. Também há a proximidade da natureza, das fazendas, dos açudes, dos rios... O poeminha de Drummond retrata isso muito bem:
  

CIDADEZINHA QUALQUER

Casas entre bananeiras

Mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.

Êta vida besta, meu Deus.



   São essas peculiaridades que fazem com que muitos sintam uma saudade secreta quando pensam na vida no interior. Até mesmo aqueles que nunca viveram lá.

4 de outubro de 2010

Charlie Brown e eu


. Sempre gostei de ficção, talvez seja porque o mundo real nunca tenha me agradado muito ou porque simplesmente sempre me senti mais confortável na posição de leitor, vivendo e aprendendo com meus personagens favoritos. É fato também que hoje eu esteja impelido mais a mudar a realidade a minha volta do que escrever livros, criar e viajar por histórias que eram excitantes, fantásticas e perfeitas, mas apenas no papel. Não significando que eu tenha abandonado a literatura, o cinema e a ficção de uma maneira geral. Só aprendi a deixar cada uma no seu lugar. Entendo que a ficção nos ajuda a compreender a realidade e também a mudá-la. Uma complementa a outra. Até porque até nossa vida é uma ficção e vivemos muitas vezes de ilusões.
. Toco no assunto, porque estava reorganizando meus livros e senti falta de um muito especial chamado "Peanuts", livro de histórias em quadrinhos que retrata a comédia humana, embora quase sempre demonstre um tanto de melancolia. Seus personagens são até conhecidos. Charlie Brown e Snoopy são bem populares aqui no Brasil.
. E não que eu tenha tido uma infância triste (pelo contrário), mas Charlie Brown, esse tímido em potencial e autêntico "loser" foi um dos meus personagens favoritos. Hoje, já me sentindo "crescido", consigo vê-lo de outra forma. Charlie Brown era uma criança adulta. Por isso gosto tanto dele. Porque acho que somos todos assim.












Clique na imagem para ampliar.

. Tentando encontrar esse meu livro tão especial, lembrei de uma coisa legal. O livro já não está mais aqui. O meu irmão o deu a uma criança que passava aqui por casa. Espero que ela goste.