28 de setembro de 2011

Tempos modernos

     Às vezes se torna difícil escrever algo com uma certa frequência. São tantas obrigações assumidas, tantos planos e projetos a serem realizados que acabamos deixando de lado pequenos passatempos que nos fazem tão bem. Escrever é relaxante, é revigorante e libertador. Quem nunca escreveu sem compromisso não sabe o que é liberdade.
    Tantas pessoas têm blogs hoje em dia que parece que temos mais autores do que leitores para lerem todo esse material. Digo isso, pois tenho alguns colegas e amigos que também possuem blogs pessoais e uma coisa garanto: a grande maioria deles são ótimos escritores. No entanto, hoje, nessa correria que é nosso dia-a-dia quase não temos tempo para ler o que os outros tem pra nos contar. Apesar de tudo, vejo algo bom nessa história toda: significa que nossa geração tem muito a dizer.

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     Não sei se alguém vai ler isso, mas talvez não importe tanto. Escrevo por escrever.
     A quem interessar possa, em breve estarei postando alguma coisa mais interessante.
     Sem mais.

27 de julho de 2011

O avarento e a sua barra de ouro

       Um avarento vendeu tudo que tinha e comprou uma barra de ouro, e a enterrou em um buraco perto de um velho muro. Diariamente, ele ia olhar o seu tesouro. Um dos seus empregados, observando o que ele fazia, decidiu espionar aquele vai e vem.
      Ele logo descobriu o segredo do tesouro escondido, desenterrou a barra de ouro e levou-a consigo. Quando o avarento foi fazer a inspeção, viu o buraco vazio e começou a se lamentar e a arrancar os cabelos.
       Um vizinho, vendo-o nesse estado de tanta dor, compreendendo o que afligia o avarento, disse-lhe: "Porque ficar assim tão desolado? Basta por uma pedra no buraco onde estava a barra de ouro e imaginar que ela está lá. Pois, mesmo quando o ouro estava lá, você não fazia uso dele".
Fábula de Esopo

  Nota do signatário deste blog: "A maioria das histórias ditas infantis não são tão infantis quanto aparentam ser."

15 de julho de 2011

A ficção e a realidade

         Sempre me perguntei: "pra quê serve a Literatura? Pra quê serve a ficção?" Na época em que cursava Letras na UFPB perguntei a alguns professores, mas nenhum me deu uma resposta que me satisfizesse. Não que eles estivessem errados, mas não achei suas respostas realmente esclarecedoras. A culpa não é deles, afinal existem várias respostas para essa pergunta, mas nenhuma tornou-se referência para solucionar dilema tão antigo.
            Alguns argumentos até que são lógicos, embora (me pareçam) insuficientes. Eis:
           - A ficção, a literatura serve para nos ajudar a lidar com a realidade;
          - Serve também para que possamos aprender com os erros dos outros e conhecer a nós mesmos;
           - Serve para obter conhecimento;
           - Serve como divertimento, prazer, passatempo;
         - Serve para "irmos" a lugares que nunca poderíamos ir se não fosse através da imaginação;
           - ou qualquer outra resposta que tente satisfazer esse questionamento utilitarista.
           Até aí tudo bem, mas...

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A FICÇÃO E A REALIDADE

              De certa forma, desde pequeno aprendi a viver mais no mundo da imaginação do que no mundo real. Tinha coleção de gibis (de Turma da Mônica a "Superman"), livros de todos os tipos, vídeo-cassete com desenhos gravados (isso mesmo, não sou da geração que cresceu com o DVD e com o Blue-Ray). Já na adolescência, a paixão pela ficção fez com que lesse vários livros, e aos poucos fosse buscando uma literatura mais "madura" (Tolstói, Shakespeare, Victor Hugo, Machado de Assis, entre outros). Daí pra o curso de Letras foi um passo. 
            Nunca deixei contudo que o academicismo me afastasse de alguns autores que figuravam na lista negra de alguns "doutores", ou seja, certos autores considerados "párias" como J. K. Howling e Paulo Coelho eram demonizados nas salas e corredores da universidade.
            Quando lia aquelas teses sobre obras literárias e mergulhava a fundo nesse mundo "criado" pelos autores considerados mais geniais, tinha medo de  mergulhar demais na ficção e me perder da realidade. Dilema esse que me acompanhou por muito tempo, até que a própria vida fez com que descobrisse a resposta: percebi que o problema não estava na utilidade (ou não-utilidade) da ficção, mas no uso que eu fazia dela.  
                Sempre achei que deveria ler o maior número de livros, assistir os filmes mais interessantes, escutar as músicas mais geniais, acompanhar as melhores séries e assistir os melhores curta-metragens. Admito que exagerei nessa busca, mas o grande problema é que esse mergulho na ficção fez com que me tornasse um idealista (não no bom sentido). Me tornei alguém que esperava o momento ideal, a oportunidade ideal, o curso ideal, os amigos ideais, a namorada ideal... Enfim quem faz isso esquece que a realidade é muito mais complicada. As coisas e pessoas NÃO SÃO ideais para nós, assim como NÃO SOMOS ideais para elas. E bom que seja assim. Se as coisas e pessoas fossem como esperamos, a vida perderia sua riqueza.
           Quem tem medo de arriscar não obtém grandes conquistas. Quem tem medo de sofrer não ama de verdade. Quem espera demais, perde grandes oportunidades. Precisamos da ficção, mas precisamos ainda mais da realidade.
             Conversando com minha mãe, comentei: "Não sei pra quê adianta ler tanto. Às vezes, tenho medo de me perder no meio de tantos livros, histórias e teorias." Ela, de maneira genial na sua simplicidade, respondeu: "Impossível, meu filho. A realidade é algo muito forte. Ela sempre te puxa de volta."
               A resposta pra esse dilema quem me deu foi uma mulher (minha mãe) sem formação acadêmica nenhuma. Tenho certeza que o fato de não ter um diploma universitário não a faz menos inteligente.


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              Os conhecimentos mais marcantes não estão nas bancas de doutorado das universidades, nem nos livros dos grandes gênios. Alguns conhecimentos são trazidos de surpresa pela vida. Só a experiência proporciona essas descobertas únicas e pessoais. Esses presentes do mundo, é claro, são apenas pra quem não tem medo de viver.

19 de junho de 2011

O discurso do rei ou A verdade retórica

George VI (Colin Firth)
O DISCURSO DO REI
     Acabo de assistir "O Discurso do Rei", filme indicado a doze Oscars e ganhador de quatro, inclusive de melhor filme. Mas as premiações, apesar de merecidas, não são tão importantes como a história retratada:
    Após a morte de seu pai e a renúncia do seu irmão mais velho ao trono, é a vez de George assumir a coroa e com ela todas as suas responsabilidades. No entanto, um detalhe crucial abala sua auto-estima e o faz questionar sobre sua capacidade de conduzir o reino: uma indesejável e inoportuna gagueira. Como pode um rei, cujo discurso pode inflamar paixões ou apaziguar os ânimos dos súditos descontentes, não conseguir passar a força e a confiança que esperam de um soberano? É esse desafio que o agora Rei George VI e seu fonoaudiológo Lionel Logue terão que enfrentar. 
    Após muito tratamento e persistência e em meio ao começo da Segunda Guerra Mundial, os súditos apreensivos diante daquele cenário internacional de violência esperam notícias sobre o destino do país. Através da emissora real de radiodifusão, todos prestam atenção ao aguardado discurso do Rei. O filme encerra de maneira triunfal e mostra a importância da fala, do discurso, enfim, da palavra enunciada com força, altivez e emoção.



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A VERDADE RETÓRICA

    Os sofistas, por exemplo, acreditavam que era possível convencer alguém que o preto era branco apenas através de um argumento astuto e (aparentemente) certeiro. Pode ser que haja um certo exagero nesse pensamento, mas uma coisa é verdade: em meio a tantas incertezas, muitas vezes o que temos de mais concreto é o discurso. Muita coisa das quais acreditamos hoje nos foi colocada não através dos fatos, mas do discurso, do discurso ideológico, político, religioso, filósofico e até científico.

     No curso de Direito, e até nos tribunais, muitas vezes o que impera não é a Verdade, mas o que predomina é a verdade retórica, ou seja, aquele argumento intelectualmente irresistível. É assim que acontece na maioria dos fóruns e nos cursos das ditas Ciências Humanas. Pra quem é da área jurídica termos como "Direito Natural", "Justiça", "Democracia", "Dignidade Humana", "Mínimo ético", por exemplo, são conceitos bem difundidos. E o que são conceitos? Representações gerais e abstratas de uma realidade ou até mesmo de uma não-realidade. Quer dizer, uma coisa não existe só porque damos nome a ela.
    Não quero dizer que estas que citei não existem, pelo contrário, são ideais como esses que me fazem ver que certos estudos e pesquisas (apesar de às vezes um pouco cansativos) são úteis e necessários para alcançar objetivos maiores. No entanto, o mais fascinante e espetacular é perceber que através das palavras, das ideias e dos argumentos vencemos e convencemos.
    Resta ter cuidado e usar tais habilidades para um bem maior.

16 de abril de 2011

Aqueles dias em que tudo parece dar certo



       Diferentemente dos tempos de outrora, hoje sofremos com o excesso de informações. Somos impelidos a passar horas estudando, a aprender outro idioma, fazer cursos, trabalhos, artigos, se atualizar, ver notícias, acompanhar mudanças na lei, na gramática, na sociedade, na doutrina, na ciência... Tudo isso é bom. Conhecimento nunca é demais. Mas peraí. Precisamos saber disso tudo? Parece que sim. Pelo menos é o que dita o mercado de trabalho. 
       Às vezes falta tempo para família, para os amigos, para si próprio, para o ócio criativo e até falta tempo para administrar o tempo. Contraditório, não? Mas é a realidade de muitos. Quem não acompanha essas mudanças fica pra trás comendo poeira.
       Mas a vida é assim mesmo. Vamos a levando e ela levando a gente até o dia em que tudo acabar e nos perguntarmos: Será que valeu à pena? Não importa qual for a resposta, já vai ser tarde demais.
      No final das contas, acredito eu, há de existir uma razão para tudo isso. Não importa. No meu ano sabático reflito melhor sobre isso.
       Todo esforço há de ser recompensado.
       Hoje, por uma razão que não sei bem qual é, me sinto especialmente feliz. Fazia um tempo que não me sentia assim.

18 de março de 2011

Um homem precisa viajar

"Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver"
  (Do documentário "Mar sem fim" sobre o viajante Amyr Klink)


      E chegou um momento da minha vida que fui forçado a concordar com as palavras de Amyr. Sei que nem sempre podemos ir a lugares exóticos e distantes. Mas acredito que o que foi dito não se aplica só a esses lugares. Muitas vezes temos que sair do nossa zona de conforto e provar da estranheza e o sabor do desconhecido e deixar de pensar que o mundo é tal qual imaginamos. Daí reside a graça de ser humano.

3 de março de 2011

Sobre o não dizer

     O que postar após semanas de silêncio neste espaço virtual? O que dizer para os poucos que ousam ler esses poucos bits de palavras desconexas?
      Esse silêncio, essa pausa se deve a um simples questionamento: "o que eu deveria escrever neste blog para torná-lo interessante?"  No começo, a intenção era apenas escrever sem maiores intenções, apenas exercitar a prática da escrita, dar vazão a própria necessidade de expressão que é inerente a todo ser humano. Mas agora poucas pessoas (a maioria amigos e alunos) já frequentam este modesto blog e me perguntam quando sairão as próximas postagens. A responsabilidade, de certa forma, aumentou. Não importa se apenas 1 ou 10 internautas visitam esse espaço, mas agora é fato que pelo menos alguém lê e isso muda muita coisa.
      E então? A quê esse blog se propõe? Falar de literatura, cinema, política, esporte, pessoas ou artes? Pode até ser, mas no momento, já existem alguns blogueiros que falam com propriedade sobre estes assuntos. Escrever sobre minha vida? Não por vários motivos: não sou narcisista a tal ponto (se bem que possuir um blog, segundo alguns psicológos, já  pode ser um primeiro sinal de exibicionismo); não quero fazer deste espaço um diário virtual; e da minha vida, no momento, não tem muita coisa interessante para relatar, e o que poderia ser não é elegante divulgar. 
     Posso até escrever sobre esses tópicos que acabei de citar, mas não vou me ater a nenhum deles. E embora também esteja em um Curso de Direito, não me sinto suficientemente gabaritado para escrever postagens de cunho jurídico sem matar de vergonha meus professores. Portanto, escrevi esses poucos parágrafos para dizer que esse blog não possui um eixo temático definido e que próximas postagens hão de vir. Mais cedo ou mais tarde elas hão de vir.
     Por enquanto um silêncio oportuno.

22 de janeiro de 2011

Loucura

    Einstein dizia que não há maior sinal de loucura do que fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes.
     Pra falar a verdade, não sei se essa frase é realmente de sua autoria, pois não a li em nenhum livro e sim na internet. Sabendo que as informações colhidas nesse meio nem sempre são confiáveis, fica aqui só a ideia central. A autoria, por enquanto, fica sendo de origem duvidosa.
    

13 de janeiro de 2011

Amar, gostar, se apaixonar...

     - Por que a gente ama quem não ama a gente, papai?
     - Não sei, meu filho. Não sei...
     E naquele momento Fernando lamentou não saber a resposta da única pergunta que seu filho lhe fizera em anos. Afinal, como saberia responder? Logo ele que há anos sente escondido no peito uma angústia parecida. Logo ele que não conseguira esquecê-la. Porque depois dela, as outras foram apenas as outras e nenhuma teve mais graça. É certo que gostara de outras, sim. Mas não sentiu pelas outras 10% do que sentira pela sua primeira.

...

     Talvez a resposta para essa pergunta comece pela distinção nem sempre fácil de Amor e Paixão.
     É apenas meu palpite.

1 de janeiro de 2011

Se eu tivesse uma banda...

... a capa do CD seria mais ou menos assim:



      Foi uma brincadeira bestinha que vi no AcidezMental. Vale a pena conferir:

      Como seria a capa do seu CD se você tivesse uma banda?
     É uma brincadeira bem divertida pois o resultado pode ser muito bizarro...
     Siga os 3 passos abaixo e crie uma capa de CD para sua "banda". 

     1º Passo
     Clique AQUI. Vai abrir uma página aleatória na Wikipedia. O título que aparecer na barra do navegador, lá no canto superior esquerdo, será o nome da sua banda. 

     2º Passo
     Clique AQUI. As últimas quatro palavras da frase que aparecer formarão o título do seu disco. 

      3º Passo
     E finalmente, clique AQUI. A terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco. 

     Junte tudo no Photoshop e veja como fica.
     Ah... Mas não vale trapacear e ficar escolhendo... O grande barato da brincadeira é justamente a aleatoriedade da coisa, né?


     Falando nisso, assim como muitos adolescentes, era louco pra ter uma banda. Eu, meu irmão e meus primos sonhavámos em fazer turnês e shows por aí. Tínhamos até o nome da banda. O que não tínhamos era talento, nem disposição para aprender a tocar nenhum instrumento. 

28 de dezembro de 2010

Postagem clichê de fim de ano

   - Quais são seus planos para 2011, Wellington?
   - Passar no concurso do...
   - Não, não. Não perguntei o que você quer para 2011. Perguntei o que você planeja fazer.
   - Ah, tá.
    Foi assim, numa conversa informal que percebi que todos meus projetos para os anos novos eram baseados apenas no que eu desejava, enquanto deveria focar no modo de execução desses planos, em como atingir tais metas.
    Acho que com muita gente acontece o mesmo. Motivado com a perspectiva de mudança e esperança que acompanha toda mudança de ano, sempre elaborei uma lista de objetivos que deveriam ser cumpridos naquele novo lapso de 365 dias. Era como se o simples fato de desejá-los, os fizesse realidade. E assim mais um ano começava e terminava naturalmente com a realização de alguns planos, o engavetamento e a procrastinação de outros. Se parece muito com quando estamos prestes a completar 18 anos. Ficamos na expectativa de atingir a maioridade, achando que o simples fato de se tornar adulto vai fazer com que tudo seja diferente e extremamente mais emocionante. No dia seguinte ao completarmos a tão sonhada idade, percebemos que pouca coisa mudou e que não é a idade que vai fazer nossa vida mudar, e sim nossa postura diante dela que terá de mudar para que as coisas sejam diferentes.
    Além da fátidica lista de planos, também fazia uma rápida retrospectiva, procurando rever erros e acertos cometidos no ano que se passou. Mas a medida que os anos iam se passando, os reveillons iam ficando cada vez menos ritualizados (pelo menos para mim) e cada vez mais parecidos com uma grande festa. A diferença é que as viradas de ano se tornaram uma boa maneira para agradecer por mais um ano e pedir mais sorte e emoção para o próximo. No mais é trabalhar e deixar que a vida e Deus façam o restante.

15 de dezembro de 2010

Diário de um concurseiro I - A decisão

         Tudo de importante que fazemos em nossas vidas começa com uma decisão. Mesmo tomadas de maneira rápida, impensada ou impulsiva, são as decisões que nos fazem ser o que somos e estar aonde estamos.
   Dentre as inúmeras coisas que poderia estar fazendo agora no auge da minha juventude (alguém com 23 anos ainda é considerado jovem, não é?), tive que eleger algo que faria total diferença na minha vida: passar num concurso público federal. Já passei para alguns concursos que, cada um a sua maneira, não me satisfizeram e cujos salários também não são nada atrativos. Não levo em conta só a questão salarial, pois acredito que trabalho  não é só sustento financeiro, e sim realização pessoal. Mas ao mesmo tempo não posso ser hipócrita. Além de realização pessoal e profissional, quero ter uma situação financeira razoável num trabalho onde eu seja valorizado e que tenha tempo para fazer outras coisas que me interessam.
          Sendo assim, dentre os concursos que fiz dos quais fui aprovado, o de Professor de Português era o que mais me dava esperanças. Fiz o curso de Letras sonhando em revolucionar a escola e a vida de meus alunos através da educação e da leitura, mas hoje acredito que a educação não se faz apenas com um professor, mas com vários, com o poder público e, principalmente, com o apoio da sociedade. Todo político fala que vai dar prioridade à educação, mas o resultado é sempre o mesmo: descaso. Todo mundo fala da importância do professor, mas ninguém mais quer ensinar na educação básica, que é a fase mais importante da vida de um estudante. Enfim, é um trabalho que todo mundo sabe que dever ser feito, mas ninguém quer fazer. E não vou nem falar da questão salarial e das condições de trabalho do professor, pois não terminaria este texto nunca. Enfim, NÃO desisti da educação, apenas vou lutar por ela em uma outra instância.
          Os outros dois concursos para os quais poderia ter optado são bem diferentes da carreira de docente: Agente Administrativo e Policial Militar, mas esses já são outra história.
          Overchoice. Essa é o termo que explica bem minha situação e a de muitos jovens por aí. Estamos num mundo em que, mesmo com todas as desigualdades que desestruturam nossa sociedade, as opções e as escolhas que muitos de nós temos são inúmeras. Escolher nem sempre é fácil e as consequências nem sempre são tão prevísiveis. Entretanto, pior que ter opções demais é não ter nenhuma.
         Um professor do curso de Direito da UEPB, conhecido no meio acadêmico como Dr. Antônio, possui uma das visões mais bonitas e filosóficas que eu já ouvi a respeito do trabalho. Foi ouvindo suas palavras que fiquei  ainda mais confuso a respeito de qual profissão realmente valeria a pena abraçar. E isso é bom, acredito que seja até uma dúvida saudável. Não quero, nem posso ter uma visão reducionista do trabalho: salário, sustento e estabilidade. Serviço público é mais que isso,  é  ter a oportunidade de ajudar pessoas e não de servir clientes, é trabalhar por e para as pessoas e ainda receber salário no fim do mês. E um pensamento foi levando a outro...
         ...por isso há algum tempo venho amadurecendo uma ideia. Mas essa será assunto para uma próxima e distante postagem.
         Algumas caminhos ainda poderão e deverão ser percorridos.

         Próxima parada: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.  
         E que venham os livros!

6 de novembro de 2010

Vivendo...


 "Vivendo eu aprendi que os adultos são apenas crianças grandes."

24 de outubro de 2010

O trabalho e o luxo



- Não há como haver luxo se não houver serviçais.
- A senhora poderia explicar melhor essa afirmação, madame?
- O desenvolvimento se dá com trabalho árduo e inteligência. Alguns homens são excepcionais em serviços braçais e dificilmente seriam eficazes em funções mais sublimes. A uns é dado a pedra, a outros é dado a caneta. Isso é fato, querido.
- A senhora acha que esse problema é um problema da educação ou da própria estrutura econômica?
- Primeiramente, não acho que isso seja um problema. E olha que não falo isso porque tenho condições de gastar mais com a ração do meu cachorro do que esses pobres trabalhadores gastam com a cesta básica. Falo isso porque essa situação é inevitável. Também acredito que a educação possui duas vertentes: preparação para a vida adulta ou simplesmente instruções para o mercado de trabalho ou para o mundo acadêmico. Se estamos falando desses dois últimos, nunca haverá espaço para todos. São mundos bem limitados, e mesmo se fossem de acesso irrestrito ninguém os valorizaria nem se esforçaria para atingi-los. Logo teríamos pessoas incapazes ocupando cargos relevantes.Trata-se da clássica teoria dos "bens posicionais" de Fred Hirsch.
- Você adora citar autores estrangeiros, não é?
- Of course, darling.
- Típico.
- Mas como eu estava falando, não há mansões para todos. Mesmo que a educação, em tese, sirva para diminuir diferenças sociais, o mercado de trabalho não comportará todas essas pessoas.
- E se diminuíssemos a carga horária desses trabalhadores?
- Só os mais qualificados merecem e podem trabalhar. É preferível que paguemos para essas pessoas executarem algum trabalho de Sísifo qualquer. Assim não caem na criminalidade, pois possuirão trabalho e renda.
- A senhora mesma citou a teoria dos "bens posicionais". A senhora sabe que o que mais valoriza uma coisa é o fato dela poder ser obtida apenas por uma parcela seleta da sociedade. Acha mesmo que as pessoas se contentarão com migalhas enquanto poucos desfrutam das benesses que a vida pode oferecer?
- Claro que não se contentarão. Mas o que posso fazer? O mundo é uma selva.
- Sim, madame. O mundo é uma selva.

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Enquanto isso, num lugar não muito distante:

16 de outubro de 2010

Sobre a vaidade

.    Segundo Samuel Johnson, nós, seres humanos, precisamos de pouco dinheiro pra manter o nosso sustento biológico. Três libras esterlinas por ano seriam suficientes para este intento, dizia o pensador inglês. Essa quantia nos permitiria "encher a pança, obter proteção contra as intempéries do clima, e até mesmo a compra de um casaco resistente, desde que feito de um bom couro de boi."
.    Nessa mesma linha de pensamento, tudo que vá além dessas necessidades é supérfluo e artificial.  Sabemos que os seres humanos possuem outras necessidades que transcendem a esfera material, como a necessidade de auto-realização, de amar e ser amado, de trabalhar, errar e aprender, de criar e se desenvolver. Johnson, no entanto, conclui que tudo que é desejado além da manutenção da sobrevivência é desejado com o intuito de obter um maior grau de respeito perante a sociedade. Há um certo grau de veracidade nessa última afirmação.
.    Quantas vezes fazemos algo para obter a aprovação de terceiros? Ou melhor, quantas vezes nos esforçamos mais pela necessidade de superar os outros do que para desfrutar as benesses do nosso trabalho? Isso significa que boa parte dos nossos esforços para estudar, cuidar do corpo, cuidar da mente, ter dinheiro ou comprar o carro do ano vem mais da necessidade de obter atenção e respeito do que da necessidade de usá-los. Caso contrário, um novo carro só seria comprado quando já não tivesse mais em condições adequadas de uso. Na nossa sociedade, carro do ano (aliás, nem todos) é sinal de status e possuir status alimenta a vaidade. E é aí que está uma das forças que induzem o homem ao trabalho e a superação:a vaidade.
.    A vaidade faz com que queiramos ser ou pelo menos parecer melhores do que realmente somos, pois essa suposta superioridade traz consigo uma falsa sensação de segurança e bem-estar. Adam Smith dizia que ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia e afabilidade e ser visto com aprovação são todas as vantagens de quem possui destaque em algum aspecto da vida, seja na área profissional, estética, intelectual, financeira, política ou qualquer que seja. Por isso, esse sentimento é imbuído da ideia de que se obtendo sucesso seremos objetos permanentes de atenção e aprovação. E é essa sensação de admiração sobre si que mais apraz o vaidoso. 
.    Certa vez, um professor afirmou que as coisas que mais causam prazer ao homem é a admiração das mulheres e o respeito dos outros homens. Admiração para o vaidoso é a palavra-chave, mesmo que essa admiração provenha de valores ilusórios ou transitórios como a beleza, status, dinheiro, força e poder. Daí decorre o pior sofrimento do vaidoso: tentar convencer os outros de ser uma coisa que não é ou que se é por pouco tempo. A beleza se modifica com o tempo. Dinheiro, força e poder transitam pelas mãos das pessoas como o tempo escorre pela vida. E o status depende do ponto de vista pelo qual se observa. Daí a melhor definição que já ouvi para essa palavra: "status é querer ser uma coisa que não somos para agradar pessoas que não gostam de nós".
.    Talvez a melhor postura diante da vaidade seja a adotada pela poetisa da transitoriedade Cecília Meireles:
"Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade."
.    Difícil é pensar e agir assim.

9 de outubro de 2010

Cidadezinha qualquer

.    Lendo o blog "Alteridade e Coisas do Cotidiano" comecei a pensar sobre o que faz a vida no interior, apesar de algumas vezes ser enfadonha, tão fascinante. 
.   Quando era criança e morava em Alagoinha, pequena município de pouco menos de 15.000 mil habitantes, sempre sonhava com as grandes cidades. São Paulo com seus prédios e sua efervescência cultural era a minha favorita. Lugares gelados e cobertos por neve também me encantavam. Era doido pra passar o natal  esquiando num lago congelado e cantando "Jingle Bell" em frente a uma imponente árvore natalina. Talvez fosse influência dos inúmeros filmes que assistia, mas era esse ideal de felicidade que perpassava pela minha mente de criança.
.    Ao morar numa cidade relativamente grande, descobri que detesto trânsito intenso, barulho,  pressa e poluição visual. Me sinto sufocado com tantos anúncios publicitários e carros businando loucamente. Não suporto o ritmo de uma cidade que acorda com o pulsar frenético das conduções que levam as pessoas ao trabalho e que termina a noite trazendo de volta esses mesmos trabalhadores e estudantes às suas casas para que no dia seguinte tudo se repita. Tenho a impressão que nesses lugares a vida se torna mecanizada e solitária, apesar da aglomeração de pessoas.
.   Prefiro a calma do interior, conhecer todo mundo, falar com 20 pessoas até chegar a padaria. Poder comprar fiado (não gosto, mas é bom saber que posso).Também acho interessante como as pessoas se interessam tanto pela vida alheia. Aliás, as da capital também se interessam, mas as daqui não precisam comprar "Caras". A badalação se desenrola dentro da própria cidade. Pois quem lê Caras, não vê coração.
.    Também há aquelas coisas que só se vê no interior como anúncio de falecimento em carro de som, pessoas conversando despreocupadas em frente às suas casas, festas de rua e personagens folcróricos que se tornam verdadeiros ícones na cidade. Também há a proximidade da natureza, das fazendas, dos açudes, dos rios... O poeminha de Drummond retrata isso muito bem:
 .  

CIDADEZINHA QUALQUER

Casas entre bananeiras

Mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.

Êta vida besta, meu Deus.



.    São essas peculiaridades que fazem com que muitos sintam uma saudade secreta quando pensam na vida no interior. Até mesmo aqueles que nunca viveram lá.

4 de outubro de 2010

Ignorância

.  Seu Lunga é um personagem do imaginário popular conhecido pela sua ignorância e mal humor na hora de responder perguntas imbecis. Existem várias piadas protagonizadas por este ilustre personagem, mas semana passada presenciei uma cena que deixaria Seu Lunga no chinelo, embora não tenha sido lá tão engraçada. Estava voltando da universidade (caminho Guarabira - Sapé) e por um infortúnio tive que vir de alternativo, esses carros particulares que servem de transporte clandestino.

Charlie Brown e eu


. Sempre gostei de ficção, talvez seja porque o mundo real nunca tenha me agradado muito ou porque simplesmente sempre me senti mais confortável na posição de leitor, vivendo e aprendendo com meus personagens favoritos. É fato também que hoje eu esteja impelido mais a mudar a realidade a minha volta do que escrever livros, criar e viajar por histórias que eram excitantes, fantásticas e perfeitas, mas apenas no papel. Não significando que eu tenha abandonado a literatura, o cinema e a ficção de uma maneira geral. Só aprendi a deixar cada uma no seu lugar. Entendo que a ficção nos ajuda a compreender a realidade e também a mudá-la. Uma complementa a outra. Até porque até nossa vida é uma ficção e vivemos muitas vezes de ilusões.
. Toco no assunto, porque estava reorganizando meus livros e senti falta de um muito especial chamado "Peanuts", livro de histórias em quadrinhos que retrata a comédia humana, embora quase sempre demonstre um tanto de melancolia. Seus personagens são até conhecidos. Charlie Brown e Snoopy são bem populares aqui no Brasil.
. E não que eu tenha tido uma infância triste (pelo contrário), mas Charlie Brown, esse tímido em potencial e autêntico "loser" foi um dos meus personagens favoritos. Hoje, já me sentindo "crescido", consigo vê-lo de outra forma. Charlie Brown era uma criança adulta. Por isso gosto tanto dele. Porque acho que somos todos assim.












Clique na imagem para ampliar.

. Tentando encontrar esse meu livro tão especial, lembrei de uma coisa legal. O livro já não está mais aqui. O meu irmão o deu a uma criança que passava aqui por casa. Espero que ela goste.

Meu nome é Povo. Quem manda aqui sou eu

. Não há, nesse momento, como não falar em política. As pessoas lá fora só falam nisso, a imprensa e os internautas também. Em todos os recantos da cidade se discute os rumos políticos desse país. Até crianças discutem política. E isso é bom, mostra que a cada pleito nós estamos amadurecendo politicamente.
. O meu estado, a Paraíba (nunca tive tanto orgulho de dizer isso) mostrou que não está à venda e que está a cada dia mais exigente. As pessoas demonstram mais sensatez e é visível o grau de engajamento de cada uma delas. É claro que existem aqueles que atuam em causa própria, defendendo um emprego ou algum benefício concedido pelo Executivo estadual, mas em geral, o clima é de evolução na consciência dos eleitores.
. Por isso eminentes figuras da política costumam tombar, pois o erro mais frequente destes gigantes é achar que práticas que funcionavam antigamente ainda continuarão produzindo os mesmos efeitos. Os tempos mudam.

...

. A disputa, contudo, ainda não acabou. A nível de Brasil, Dilma e Serra se enfrentarão nas urnas. Na Paraíba, o embate fica por conta de Zé Maranhão e Ricardo Coutinho.
. Sendo assim, que venha o segundo turno.

2 de outubro de 2010

Postagem inaugural




. Antes de tudo, gostaria de dizer que este blog não é essencialmente literário, político, econômico, jurídico, muito menos diário virtual.
. Essa é a primeira postagem e duvido muito que alguém esteja lendo isso. De qualquer forma é bom avisar sobre a falta de pretensão de despontar como o blog do ano ou de servir como pré-estréia para o mundo literário. Esse blog não se propõe a grandes coisas. Por essa razão digo que coerência não é bem o que você vai encontrar aqui.
. Por ora, é isso.